Morte de Joãosinho Trinta vai deixar o carnaval mais triste, diz Dilma


A presidente Dilma Rousseff prestou nesta tarde sua solidariedade a Joãosinho Trinta, que morreu neste sábado (17) em consequência de um choque séptico secundário à pneumonia e infecção urinária. Para Dilma, o Carnaval brasileiro "ficará mais triste" sem o carnavalesco, que foi um dos responsáveis pela transformação do desfile das escolas em espetáculo.

"O Carnaval do Brasil fica mais triste sem a alegria e o talento de Joãosinho Trinta. Artista plástico, por mais de 40 anos encantou a todos com a criatividade de suas produções, a inteligência de seus enredos e a ousadia de seus desfiles de escolas de samba no Rio de Janeiro", dizia um trecho da nota de pesar atribuída à presidente. Para Dilma Rousseff, Joãosinho Trinta "fez do Carnaval brasileiro uma das mais belas festas do mundo".

João Clemente Jorge Trinta, popularmente conhecido como Joãosinho Trinta, é considerado um dos maiores nomes do Carnaval carioca e sempre lembrado por sua ousadia e genialidade. Nascido em São Luís, no Maranhão, no dia 23 de novembro de 1933, Joãosinho demonstrava desde cedo o gosto pelas artes - tanto é que, aos 17 anos, mudou-se para o Rio de Janeiro para estudar dança clássica no Teatro Municipal.



Durante 25 anos, o carnavalesco fez parte do Corpo de Baile do Teatro Municipal e encenou duas óperas, O Guarani, de Carlos Gomes, e Aída, de Giuseppe Verdi. Em 1961, ingressou na Escola de Samba Acadêmicos do Salgueiro como assistente e, dois anos depois, consagrou-se campeão ao lado da escola, que apresentou o enredo Chica da Silva, de Fernando Pamplona e Arlindo Rodrigues.

Com a saída de Pamplona e Rodrigues, tornou-se carnavalesco da escola. Em 1973, fez dupla com a artista plástica Maria Augusta no enredo Eneida: Amor e Fantasia, que alcançou o terceiro lugar. Já como carnavalesco-solo se tornou bicampeão pela escola em 1974, com O Rei de França na Ilha da Assombração, e em 1975, com O Segredo das Minas do Rei Salomão.

Em 1976, Joãosinho aceitou o convite para assumir a agremiação da Beija-Flor, levando a escola a conquistar o título de campeã, com o enredo Sonhar com Rei dá Leão, em referência ao jogo do bicho - a escola também viria a ganhar em 1977, 1978, 1980 e 1983. Além de seu trabalho como carnavalesco, Joãosinho criou e organizou diversos programas sociais de inclusão da população carente na época em que esteve na escola.

Em 1989, Joãosinho causou um verdadeiro reboliço na Sapucaí, chamando a atenção inclusive da Igreja Católica com o enredo Ratos e urubus, larguem minha fantasia. A escola era conhecida pelo luxo aplicado em seus desfiles e levou à avenida uma comissão de frente formada por mendigos, além de alas e alegorias esfarrapadas, causando grande perplexidade. No abre-alas, havia uma réplica do Cristo Redentor, que acabou escondida por sacos de lixo devido à proibição da Igreja. A cena é tida como um dos marcos do Carnaval carioca.

Após 17 anos na Beija-Flor, Joãosinho Trinta transferiu-se para a Escola de Samba Unidos do Viradouro, onde ganhou o título do Carnaval de 1997 com Trevas! Luz! A explosão do Universo. Em 1996, sofreu um derrame que paralisou um dos lados de seu corpo, mas, mesmo assim, continuou seu trabalho na escola. Em 2004, foi homenageado no Carnaval pela Escola de Samba Acadêmicos da Rocinha, que elegeu como tema sua vida e sua obra.

Em novembro do mesmo ano, Joãosinho sofreu um novo derrame e, no ano seguinte, decidiu afastar-se da Sapucaí, atuando apenas como uma espécie de consultor durante as preparações para o Carnaval. A partir de 2006, passou a se locomover com cadeira de rodas e, desde então, vinha passando por graves problemas de saúde - até sua última internação, em maio deste ano, com quadro de pneumonia e insuficiência cardíaca.

Nenhum comentário:

Postar um comentário