Ao menos cem pessoas participam do "churrascão da gente diferenciada" na cracolândia, região central de São Paulo, na tarde deste sábado. A Polícia Militar acompanha o evento, mas não fez estimativa do número de pessoas. O número é uma estimativa da reportagem.
A manifestação foi organizada por diversas ONGs e grupos, entre eles o coletivo Dar (Desentorpecendo a Razão), e acontece na esquina da rua Helvétia com a alameda Dino Bueno desde as 16h.
O evento é um protesto contra a operação iniciada pela PM na região no dia 3, além do "o preconceito e o racismo dos políticos e das elites paulistanas".
A rua Helvétia e a alameda Dino Bueno foram bloqueada pela CET (Companhia de Engenharia de Tráfego).
Com carro de som, bateria, churrasqueira e isopor de bebidas, os manifestantes pedem que a ação policial seja substituída por políticas públicas para os dependentes de crack que moram na região.
Há diversas faixas e cartazes com dizeres contra o preconceito, abuso de autoridade e reivindicando unidades de atendimento especializado para o dependentes.
Alguns moradores de rua entraram na festa, aproveitando os comes e bebes e dançando com os manifestantes, em sua maioria jovens.
A maior parte dos viciados que estava no local no início do "churrascão", porém, mudou para outra esquina. Irritados com fotógrafos e jornalistas, eles pedem para não serem fotografados e dizem para quem se aproxima que "a festa é do outro lado".
Policiais tentam dispersar o grupo, mas minutos depois ele volta a se reunir.
Um grupo da Transparência Hacker levou seu ônibus para o local e soltou balões de gás hélio colorido no começo do evento.
Além de patrulhar as ruas próximas, policiais estão tirando foto e filmando o evento, convocado pelas redes sociais.
Na manhã de hoje, mais de 4.000 pessoas já haviam selecionado a opção "confirmar presença" no evento criado no Facebook.
A expressão "gente diferenciada" foi usada por uma moradora em entrevista à Folha em 2010, para descrever os "mendigos e drogados" que a construção de uma estação de metrô atrairia para a região de Higienópolis (bairro nobre na zona oeste de São Paulo). Quando o projeto foi aprovado, houve um "churrascão de gente diferenciada" no bairro.
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