Casal tenta há mais de um ano levar para MG corpo de filha enterrado como indigente no Rio

O pastor evangélico Alexandre Jorge da Silva, 46, diz vivenciar com a mulher “um verdadeiro calvário” há mais de um ano. Eles tentam encaminhar para ser sepultado em Minas Gerais o corpo da filha mais velha, que está enterrado como indigente em cemitério no Estado do Rio de janeiro.

De acordo com relato do pai, o corpo de Grazielle Marques Silva, 21, foi encontrado em março de 2011 por bombeiros em rio da cidade de Itaguaí (70 km do Rio de Janeiro), com uma perfuração aparentemente feita a faca na região torácica.

Segundo o pastor, a filha havia ido ao Rio passar o Carnaval em Japeri, na Baixada Fluminense, com Cleiton Fernandes, 23, com quem havia começado um relacionamento pela internet no segundo semestre de 2010.

A esperança da família, formada pelo casal e mais dois filhos, surgiu com a intermediação da Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (AL-MG), que conseguiu confrontar exame de DNA do cadáver enterrado no Rio, após exumação a pedido da comissão, com material coletado da mãe, em Minas Gerais. A análise dos exames foi feita pela Polícia Civil mineira.

De acordo com o deputado estadual Paulo Lamac (PT), vice-presidente da comissão, o laudo apontou que se tratava do corpo da jovem. “Nós recebemos o laudo do Instituto de Criminalística (da Polícia Civil de Minas Gerais), identificando o corpo, e procedemos à remessa desse material, junto com um requerimento da comissão, solicitando às autoridades do Rio que procedam à identificação do corpo, com base nos resultados, e providencie o traslado dele”, afirmou. 

Busca
O pai revelou ter ido à época ao Rio para tentar achar o paradeiro da filha depois que a família do rapaz o informou sobre o sumiço do casal de namorados. O último contato com a filha pelo celular dela aconteceu em 18 de março de 2011.

O drama da família começou quando Silva, depois de buscas frustradas por informações da filha, foi ao IML (Instituto Médico Legal) da região. No local, o homem diz ter tido a certeza de que o corpo apresentado a ele por meio de fotografias era o de Grazielle.

De acordo com o pai, mesmo após o reconhecimento a Polícia Civil do Rio de Janeiro exigiu mais provas para atestar a confirmação de que o corpo era o da moça. Silva disse ter apresentado um laudo da arcada dentária dela, que passava por tratamento odontológico, mas a análise teria sido dada como inconclusiva pela polícia do Rio, após exumação do corpo. Exame das impressões digitais também foram incongruentes. Passou-se a ser exigido pela polícia um exame de DNA.

O homem afirmou ter pedido o exame ao IML do Rio de Janeiro, mas não obteve resposta. Ainda conforme o homem, as explicações dadas pela polícia do Rio versaram sobre o fato de que, com a impossibilidade do reconhecimento, o caso era tratado como sendo de uma pessoa desaparecida.

Por conta da situação, Silva afirma ter perdido o emprego em empresa onde trabalhava como técnico industrial havia 17 anos. “Eu precisei dar assistência à minha família, mas o patrão não compreendeu. Eu só encontrei forças para continuar a lutar pela minha filha em Deus”, disse o homem.

Investigação
Apesar das explicações recebidas da polícia do Rio, Silva afirmou, no entanto, ter estranhado a rapidez com o corpo da primogênita foi enterrado. “Normalmente, eles esperam uns 30 dias para ver se alguém reconhece o corpo da pessoa. A minha filha foi enterrada depois de seis dias, como indigente.”

Conforme Silva, algumas perguntas estão ainda sem respostas. O homem afirma que o laudo que constava no boletim e ocorrência, feito pelos bombeiros, dava conta de a descrição do encontro de um cadáver do sexo feminino, “de cabelos pretos”.

“Eu estranhei o fato de o corpo da foto que me foi apresentada estava com os cabelos e a sobrancelha raspados”, contou Silva, que afirmou não ter tido empecilho para reconhecer a filha apesar disso.

“A gente quer uma investigação sobre o assassinato. Por que rasparam os cabelos dela e as sobrancelhas?”, disse Silva. A falta de informações sobre o caso o deixou desconfiado até da morte do namorado da filha. “Eu não sei nem se ele realmente está morto. Porque não me foi apresentado nenhum documento que comprove isso.”

O deputado Paulo Lamac disse que vai pedir à Polícia Civil do Rio de Janeiro, logo após os trâmites do envio do corpo a Minas Gerais, que abra um inquérito para investigar o homicídio da jovem.

“Tem muita pergunta não respondida. Por enquanto, conseguimos identificar o cadáver dela. Agora, como o assassinato aconteceu ninguém ainda tem ideia. Queremos saber o paradeiro do rapaz, que veio a Minas Gerais, levou-a para o Rio de Janeiro. Será que ele está morto também ou está foragido”, afirmou o deputado.
 
Namoro
O namorado de Grazielle chegou a ir à casa dos pais da garota, em Ribeirão das Neves, onde passou as festas de fim de ano de 2010. “Ele se apresentou como eletricista. Disse que morava com os pais, mas fui descobrir depois que ele morava sozinho”, disse Silva.

O pai de Grazielle informou ter desconfiado das pretensões do rapaz, que teria afirmado o intuito de levar a moça para passar o feriado no Estado vizinho “com muita pressa”.  No entanto, apesar das ressalvas, o pai afirmou não ter colocado empecilho no relacionamento por conta do entusiasmo da filha.

“Você sabe como é. Ela já era maior de idade e ainda ficava me questionando por que eu dava mais liberdade ao irmão dela e não dava a ela”, explicou.

Silva contou ter encontrado o endereço do rapaz por causa da checagem do nome dele em documento retirado, sem o conhecimento de Fernandes, em uma carteira encontrada dentro de bolso da calça do namorado da filha. Ele afirmou ter tomado a atitude pela resistência de Fernandes em dar mais detalhes sobre a sua vida.

“Se a gente segurasse, creio que seria pior”, resignou-se, dizendo ter baseado a decisão de liberar a viagem da filha na descoberta de que ela já tinha ido ao encontro do namorado, no Rio de Janeiro, às escondidas, ainda em 2010.

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