Círio de Nazaré mobiliza milhões de devotos em Belém


Belém - A dona de casa Marilza Ferreira, 76 anos, garante ter sido curada de um câncer na garganta. O operário Antonio Cláudio Carvalho, 49, carrega na cabeça uma casa feita de isopor. Perto dele, o microempresário Paulo Cícero Favacho, 37, caminha no meio da multidão com os braços levantados, exibindo a réplica de um cigarro gigante. Essas pessoas, que nunca se viram antes, reuniram-se para o pagamento de promessas por graças alcançadas durante o Círio de Nazaré, que arrastou neste domingo pelas ruas centrais de Belém, num percurso de 3,6 km, uma multidão de fiéis calculada pela Polícia Militar em 2,2 milhões. 

A procissão católica paraense já é considerada por especialistas como o maior evento religioso do mundo, superando inclusive a peregrinação muçulmana a Meca de homenagens ao profeta Maomé. O evento também atraiu 80 mil turistas de todo o Brasil e de outros países que superlotam os hotéis, pousadas e até motéis da cidade. "Eu estava desenganada pelos médicos e foi Nossa Senhora de Nazaré quem me salvou", relatou Marilza. Ela diz que os últimos exames revelaram que o câncer desapareceu de seu organismo.

Para Carvalho, a compra da casa própria foi o fim do pesadelo do aluguel, que consumia mais de 60% do orçamento familiar. "Foi a Nazinha (como a santa é carinhosamente chamada pelo povo) quem me ajudou a comprar a casa", comemora o trabalhador. Favacho, por sua vez, parou de fumar e atribui a abstinência de quase um ano do cigarro aos inúmeros pedidos de ajuda à santa. O trio de pagadores de promessas integrava um contingente de 7,5 mil devotos que acompanharam a procissão segurando uma corda de 400 metros atrelada à berlinda com a imagem da santa, que saiu da Catedral da Sé às 6 da manhã e só chegou à Praça do Santuário, onde fica a Basílica de Nazaré, às 12h30.



Entre os torcedores do Paysandu e do Clube do Remo, dois clubes que reúnem as maiores torcidas do Norte do País, dois paulistas que foram passar o Círio chamavam a atenção. Com a camisa do Palmeiras, Luis Bentes e Leonardo Pinho fizeram dois pedidos à santa: o primeiro foi de "saúde à família", enquanto o outro foi de acompanhar a procissão na corda, em 2013, caso o Palmeiras não seja rebaixado para a Série B do Campeonato Brasileiro. Hoje, o clube paulista está entre os últimos colocados na competição. Para suportar tanto sacrifício, Bentes e Pinho, assim como outros fiéis, recebiam garrafas com água mineral para beber, molhar as mãos e os pés descalços que ardiam no asfalto quente.

A segurança dos romeiros exigiu este ano a mobilização de 10 mil homens das polícias Militar e Civil, além do Exército e Aeronáutica. Seis mil estudantes de colégios de Belém, universitários, grupos de amigos e vizinhos de bairros, juntamente com outros 1.200 voluntários da Cruz Vermelha ajudaram a socorrer mais de 700 pessoas que passaram mal durante as seis horas da romaria. Elas eram atendidas por médicos e enfermeiros em barracas improvisadas nas praças. Os casos mais comuns foram de pessoas que desmaiaram devido ao forte calor ou por não estarem bem alimentadas.

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