Polícia gaúcha prende cinco pastores evangélicos durante operação "Deus Tá Vendo"


Cinco pastores evangélicos foram presos na quarta-feira (11) durante uma operação intitulada “Deus Tá Vendo”, da Polícia Civil gaúcha. Suspeitos de praticarem golpes que somam R$ 1,2 milhão apenas no Rio Grande do Sul, os homens foram detidos em Itajaí (SC), Ponta Grossa (PR) e São Gonçalo (RJ).

Ligados à Assembleia de Deus, eles se valiam da confiança de fiéis e outros membros da comunidade para vender carros com valor muito abaixo dos de mercado, mas que jamais eram entregues. Além do RS, os golpes eram aplicados em Santa Catarina, Paraná e Rio. A polícia aputa se os golpes também eram aplicados em São Paulo e no Distrito Federal --segundo a polícia, os golpes podem ter dado um prejuízo de 20 milhões em todo o país.

Segundo a polícia, o esquema teve início no Rio de Janeiro, onde uma mulher identificada apenas como Andreia contatou um pastor oferecendo parceria no negócio ilegal. Esse, por sua vez, chamou outros pastores, que se aproximavam de interessados em comprar os veículos, segundo eles, doados pela Receita Federal.

No Rio Grande do Sul, o grupo lesou 40 vítimas –37 em Veranópolis, duas em Bento Gonçalves (ambas na serra gaúcha) e uma em Passo Fundo, no norte do RS. “Eles ofereciam automóveis de cerca de R$ 90 mil por R$ 30 mil. Então o comprador depositava o dinheiro em uma conta de um laranja, que repassava a quantia à cabeça do esquema”, explica o delegado que comandou a operação, Álvaro Luiz Pacheco Becker, titular da 2ª Delegacia de Bento Gonçalves.

“Estou convencido de que esse grupo apenas usava a ligação que têm com a igreja para conquistar a confiança das vítimas”, afirma o delegado.

Depois que as vítimas reclamavam sua compra, Andreia –apontada como a líder do grupo– se passava por auditora, promotora e até juíza para “tranquilizar” as vítimas, dizendo que o processo era legal e que os veículos seriam entregues em breve. A mulher, que possui passagens por estelionato, está sendo procurada.

As investigações começaram no final de 2011, mas, segundo a polícia, o golpe era aplicado desde 2010. Os cinco presos devem ser soltos após auxiliarem nas investigações. “Acredito que essa rede seja ainda maior”, avalia Becker.

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