Teste: Fiat Cinquecento Cult é um pequeno sedutor

Teste: Fiat Cinquecento Cult é um pequeno sedutor
Versão foi peça-chave na estratégia da Fiat para emplacar o subcompacto no Brasil

por Rodrigo Machado
Auto Press
 
Em agosto de 2011 a Fiat mudou completamente a história do 500 no Brasil. Até aquele momento, o subcompacto vinha da Polônia e era tratado como um típico carro de nicho: bonito, chamativo e caro. Não poderia ser considerado uma compra racional. A partir do meio do ano passado, no entanto, o modelo começou a ser importado do México e parou de pagar o imposto de importação. Assim, o preço caiu e a estratégia que a marca italiana adotou para o carrinho se alterou drasticamente. Principalmente na versão de entrada, a Cult. Os valores iniciais caíram de cerca de R$ 60 mil para R$ 40 mil. Assim, o Cinquecento passou a ser “alcançável” e pôde virar objeto de desejo para quem precisa de um carro urbano, mesmo pequenino. E ainda manteve o inapelável charme.

Obviamente, as vendas refletem tudo isso. Antes do lançamento da versão mexicana, o 500 amargava pouco menos de 50 emplacamentos mensais. No último quadrimeste do ano passado, a média subiu para 1.150/mês. Em 2012, são 1.600 Cinquecento saindo todos os meses das revendas da Fiat, ou 30 vezes mais que no ano passado. Um crescimento assombroso. Do total, 80% são da versão Cult e seus R$ 40.770. O novo preço é um fator determinante na compra, tanto que o subcompacto da Fiat vende mais que compactos normais como Renault Clio e JAC J3. Dentro da linha Fiat, por exemplo, ultrapassou a Palio Weekend.




Além da absoluta alteração de abordagem mercadológica, o Cinquecento mexicano ganhou algumas mudanças mecânicas importantes em relação àquele que vinha da Polônia. O motor, por exemplo. Saiu de linha 1.4 16V de 100 cv usado na Europa e entraram dois outros. Na versão mais barata, o 500 usa o 1.4 8V Evo – de 88 cv e 12,5 kgfm – difundido na linha da Fiat no Brasil. Nesse caso, o câmbio pode ser manual ou o automatizado Dualogic, ambos com cinco velocidades. Nas versões topo de linha, Sport e Lounge, o propulsor é novidade no Brasil. Também tem 1.4 litro, mas traz o cabeçote MultiAir. O sistema calcula diversos elementos do motor para injetar mais ou menos ar na câmara de combustão. Assim, são gerados até 105 cv de potência e 13,6 kgfm de torque. Nestas duas configurações, o modelo pode receber uma inédita transmissão automática de seis marchas.

Esteticamente, o Cinquecento mantém o ar retrô-futurista, que continua atual mesmo depois de cinco anos do lançamento internacional do carro. Na frente ficam os quatro faróis arredondados, o capô curto e o indefectível “bigodinho” fazendo o papel de grade dianteira. De lado, as dimensões compactas se mostram ainda mais claras. Quase não há carroceria além do eixo traseiro. As rodas de desenho agressivo também agradam. As lanternas traseiras com moldura cromada nas extremidades e um grosso friso também cromado sobre a placa dão um ar de requinte.



O conteúdo do carro não desmente esta impressão. A queda nos impostos compensou a redução de R$ 20 mil no preço. Por isso, a Fiat não foi forçada a “depenar” seu subcompacto. Desde a versão de entrada Cult, de R$ 40.770, o carro é bem equipado. Vem de série com ar-condicionado, banco do motorista com regulagem de altura, computador de bordo, direção elétrica, sistema de partida em aclive, rádio/CD/MP3/auxiliar, rodas de liga leve de 15 polegadas e trio elétrico. O câmbio Dualogic adiciona R$ 2.920 na conta. Destaque também para a lista de itens de segurança. Qualquer Cinquecento tem airbag duplo, ABS, BAS, EBD e controle de tração e estabilidade. Afinal, não é só porque o carro remete ao antigo Cinquecento da década de 1950 que tem de igualar o estilo pós-guerra do antecessor.
 
Ponto a ponto
 
Desempenho – Apesar de não ser muito potente,o Cinquecento se mostra bastante ágil no trânsito urbano. O motor 1.4 Evo não é novidade, mas se encaixa com surpreendente facilidade no subcompacto mexicano. O bom torque máximo de 12,4 kgfm aparece em rotações médias, 3.500 giros, e se mostra suficiente para mover o subcompacto. A proposta é ter um carro de uso na cidade, sem exageros. E nisso o subcompacto se mostra bastante competente. Esta geração do câmbio Dualogic tem os conhecidos solavacos e trancos nas trocas, o que diminui um pouco a suavidade na direção. Nota 8.
Estabilidade – Para manter um carro “altinho” com bom comportamento em curvas, a Fiat teve de apostar em uma suspensão mais dura. Dessa maneira, o subcompacto encara muito bem até as curvas mais fechadas. Auxiliado pelos sistemas eletrônicos de segurança e pela boa construção do chassi, o modelo sempre tende a se manter na trajetória, mesmo que exista uma natural tendência de sair de frente. Nas acelerações e nas frenagens bruscas, o Cinquencento mantém a compostura e não aderna de maneira exagerada. Nota 8.
Interatividade – Achar a posição de dirigir é bem simples graças aos muitos ajustes para o motorista. Pode-se regular a altura e profundidade de volante e banco. O volante é multifuncional, com botões na frente e atrás que controlam o rádio e o cruise control. O problema é o painel de instrumentos. Nesse caso, a Fiat sacrificou a funcionalidade pelo design. Botou muitas informações juntas e deixou a leitura confusa. Conta-giros e velocímetro concêntricos são muito próximos e o display digital também é muito pequeno para tantos dados. Nota 6.
Consumo – O InMetro testou o Cinquecento Cult Dualogic e mostrou resultados bem diferentes dependendo do combustível utilizado. Com etanol, marcou fracos 7,5 km/l na cidade e 8,5 km/h na estrada. Com gasolina, a média melhora: 11,3 km/l na cidade e 13 km/l em rodovia. Ou seja, passa de beberrão para sedento. Não são bons índices para um carro tão pequeno. Nota 6.
Conforto – O espaço interno definitivamente não é o forte de nenhum subcompacto. Com 2,30 metros de entre-eixos, apenas duas pessoas conseguem se acomodar. O banco traseiro está ali, mas é mais para crianças e emergências. A suspensão é rígida, porém filtra bem os buracos. Já o isolamento acústico não é tão eficiente na hora de impedir a invasão do barulho do motor. Por outro lado, os ocupantes da frente são muito bem tratados. Os bancos são confortáveis e seguram com firmeza o corpo nas curvas. Nota 7.


 
Tecnologia – É um dos grandes destaques do carro. Além de ser feito em uma plataforma moderna, o modelo que chega ao Brasil vem muito recheado. De série ele traz ar-condicionado, direção elétrica, controles de tração e estabilidade, airbag duplo, ABS com EBD, assistente de partida em ladeira, entre outros. Na comparação com outros modelos de preço semelhante, é um belo atrativo. Nota 9. 
Habitalidade – Como bom subcompacto, o Cinquecento não se presta ao papel de carro da família. Ele é indicado para solteiros ou como segundo carro da casa, para uso urbano. Quem vai à frente, fica muito bem acomodado. Atrás, não há muito espaço. O porta-malas também é pequeno: são apenas 185 litros. Para viagens com mais bagagens, o jeito é rebater o banco traseiro. Se for utilizado dentro de sua vocação, é bastante satisfatório. Nota 7.
Acabamento – O interior do Cinquecento agrada bastante. O visual retrô combina com aspectos mais modernos. Os materiais também são de boa qualidade. Como opcional, a versão Cult pode receber volante revestido em couro, que ajuda a ampliar a boa sensação no interior do charmoso Fiat. Nota 8.
Design – É o maior apelo de um “funcar”. O design exterior é chamativo sem ser brega ou exagerado. A ideia da Fiat em fazer uma releitura do Cinquecento original, da década de 1950, adaptado aos dias de hoje, deu certo. É um belo e charmoso modelo. Nota 9.
Custo/benefício – O preço do Cinquecento variou muito nos últimos meses. Agora, se estabilizou em torno dos R$ 40 mil. É um carro para apenas duas pessoas, mas tem muitas qualidades: estável, de bom desempenho, bem-acabado e charmoso. Na comparação com outros hatches, o Cinquecento nem chega a ser muito caro. Para não sair da Fiat, o Palio 1.4 Attractive custa R$ 38.680 quando equipado da mesma maneira. Quando a comparação é com os outros subcompactos charmosos do mercado nacional, a briga é ainda mais desigual. Mini One, Audi A1 e Citroën DS3 superam os R$ 80 mil. Nota 8.
Total – O Fiat 500 Cult 1.4 8V Dualogic somou 77 pontos em 100 possíveis. 

Impressões ao dirigir
Indiscreto charme 

O Cinquecento tem um certo magnetismo. Não é uma super-máquina de deixar transeuntes boquiabertos, mas o visual é tão simpático e bem-resolvido que acaba chamando muita atenção. Por dentro, a boa impressão continua. O Cinquecento do Século XXI manteve soluções interessantes, como o aplique de plástico na cor da carroceria. O acabamento todo é de qualidade e ajuda a elevar o charme. O ponto negativo é o painel. A ideia geral seria até boa, se permitisse a leitura mais clara. Os mostradores são sobreposicionados dentro de um grande cluster redondo, o que acaba dificultando a visibilidade individual de cada um.



O tamanho determina o conceito do carro. Os dois ocupantes da frente até ficam confortáveis, embora não tenham espaço de sobra para as pernas. Atrás, só mesmo crianças, animais de estimação e amigos desesperados por carona. Até para entrar é difícil.  Em movimento, o Cinquecento se mostra um carro divertido. Mas não tanto como as suas dimensões compactas poderiam explicitar. Apesar de pequena, a plataforma é moderna e existem diversos equipamentos de segurança e conforto. Assim, mesmo sendo menor que o Uno, o Cinquecento é 100 kg mais pesado. Dessa forma, os 88 cv do motor 1.4 8V são apenas suficientes para mover o carrinho. Dá para acelerar com alguma intensidade, principalmente quando o conta-giros supera os 3.500 giros, mas não chega a ser algo alucinante.

A suspensão é outro item que mostra competência. Ela é bem “durinha” e consegue manter o carro na mão na maioria das situações. Só quando as curvas são muito fechadas ou em momentos de maior exigência que o Cinquecento tende a espalhar e perder a dianteira. Nada que uma aliviada do pé do acelerador não resolva. Ainda existem os controle de tração e estabilidade de série para ajudar a não fazer besteira. O modelo também não decepciona ao rodar. As imperfeições o asfalto até são passadas para o interior, mas sem grandes balanços ou pancadas.

 
Ficha técnica
Fiat Cinquecento Cult 1.4 8V Dualogic
Motor: A gasolina, dianteiro, transversal, 1.368 cm³, com quatro cilindros em linha, duas válvulas por cilindro e comando simples no cabeçote. Acelerador eletrônico e injeção eletrônica multiponto sequencial.
Transmissão: Câmbio automatizado de cinco marchas à frente e uma a ré. Tração dianteira e possui controle eletrônico de tração.
Potência máxima: 85 cv e 88 cv a 5.750 rpm com gasolina e etanol.
Torque máximo: 12,4 kgfm e 12,5 kgfm a 3.500 rpm com gasolina e etanol.
Aceleração de 0 a 100 km/h: 12,2 s 11,8 segundos com gasolina e etanol.
Velocidade máxima: 172 km/h.
Diâmetro e curso: 72,0 mm X 84,0 mm. Taxa de compressão: 12,35:1.
Suspensão: MacPherson com rodas independentes, braços oscilantes inferiores a geometria triangular e barra estabilizadora. Traseira do tipo semi-independente, eixo de torção, com barra estabilizadora. Oferece controle eletrônico de estabilidade.
Pneus: 185/55 R15.
Freios: Discos ventilados na frente e discos sólidos atrás. Oferece ABS com EBD e BAS.
Carroceria: Hatch compacto em monobloco com duas portas e quatro lugares. Com 3,54 metros de comprimento, 1,62 m de largura, 1,50 m de altura e 2,30 m de distância entre-eixos. Oferece airbags frontais de série.
Peso: 1.061 kg.
Capacidade do porta-malas: 185 litros e 1.086 litros com os bancos traseiros rebatidos.
Tanque de combustível: 40 litros.
Produção: Toluca, México.
Lançamento mundial: 2007. Lançamento no Brasil: 2009.
Itens de série: Ar-condicionado, apoios de cabeça anti-chicote, controle de tração e de estabilidade, banco do motorista com regulagem de altura, ABS, BAS, EBD, computador de bordo, direção elétrica, airbag duplo, sistema de partida em aclive, rádio/CD/MP3/auxiliar, rodas de liga leve de 15 polegadas e trio elétrico.
Opcionais: Rádio com entrada USB e Bluetooth, cruise control, som Bose e teto solar elétrico
Preço da unidade testada: R$ 47.745.


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